terça-feira, 20 de outubro de 2009

MULHER DE OPERÁRIO PROCESSA RENAULT


Empresa  de automóvel acusada  de responsabilidade  em suicídio de um  trabalhador lusodescendente em 2006
Mulher de operário processa Renault

É a primeira vez em que uma empresa francesa é acusada em tribunal de responsabilidade no suicídio de um trabalhador. Em 2006, o operário António B., filho de emigrantes portugueses, tornava-se no terceiro funcionário do Technocentre da Renault, em Guyancourt, a pôr termo à vida nas instalações da construtora automóvel. O mecânico geometrista, na empresa desde 1989, lançava-se do quinto andar do edifício da empresa, depois de meses de sofrimento e angústia face à pressão crescente no trabalho no quadro do plano de reorganização da empresa.
Depois de ter obtido em 2007 o reconhecimento do suicídio como um acidente de trabalho, a viúva de António compareceu ontem no tribunal do trabalho de Nanterre para acusar a direção da Renault de "falta indesculpável" no sucedido. A decisão dos juízes deverá ser conhecida dia 14 de Dezembro. Se o tribunal der razão à viúva, o caso poderá criar jurisprudência na legislação laboral francesa, abrindo caminho ao reconhecimento do estado psicológico dos trabalhadores como uma doença profissional.
O delegado do sindicato CGT, Jean François Piboulot, que acompanhou ontem a viúva de António, explicou ao DN as motivações do processo, "o objetivo não é o de exigir indenizações, mas apenas o respeito por um trabalhador, que a empresa considerou como uma pessoa frágil, sem nunca admitir qualquer responsabilidade no sucedido". Numa entrevista ao jornal Le Parisien, Sylvie T., a viúva de António, explicava ontem as razões pelas quais tinha decidido levar a Renault a tribunal."Para mim é a direção da empresa que é culpada e criminosa (...) É insuportável ver a forma como os objetivos financeiros levam os gestores a destruir homens. Não podemos esmagar trabalhadores só para obter lucros". Nos últimos meses de vida, António, um empregado considerado exemplar, tinha perdido oito quilos e dormia apenas duas horas por noite face à pressão crescente no trabalho e à ameaça de uma transferência. Dias antes de saltar para o vazio, a direção tinha decidido transferir o trabalhador para um cargo inferior como "engenheiro júnior." O processo em tribunal surge depois da Renault ter posto em prática um 'plano anti-suicídios' que não evitou uma nova morte, no início do mês.
Fonte: Diário de Notícias (Portugal) em 20.out.2009

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