sexta-feira, 16 de setembro de 2016

DE ROBÔS PARA ROBÔS? A GLOBO E A DEFESA DO “HOMO VIDENS”

Hoje a TV Globo, na tentativa de fazer uma contestação à alegação de que os Procuradores que denunciaram Lula teriam elaborado uma petição inepta, acabou por  desinformar mais ainda o povão brasileiro. 
É visível na atuação histórica da emissora que há um "padrão global de notícia", de caráter seletivo e afinado com os ditames das forças políticas mais retrógradas, que visa empurrar na goela dos brasileiros a notícia padronizada. Assim a Globo segue a sua marca  segundo o mesmo rito denunciado outrora por George Orwell:
 “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”.
No show pirotécnico desta semana, no qual foi anunciado que Lula seria a “estrela polar e neonapoleonica” da propinocracia, os procuradores disseram que não havia provas, mas havia convicção.
A conduta dos procuradores lembrou a figura dos videntes dos novos tempos, sim, o “Homo videns” de que falou Giovanni Sartori. Foi um show próprio dos “iluminados” de uma sociedade teledirigda pela mídia que reproduzem a violência cognitiva ao nos dizerem:

̶̶  (Tlim tlim!) Atenção telespectadores vocês não precisam refletir. Basta que acreditem no esquema descrito no power point de última geração.

Giovanni Sartori, em seu livro Homo Videns, descreve esse tipo de violência cognitiva da "autoevidência” como o “basta ver, não precisa entender”. Em outras palavras: é a preponderância do visível imediato sobre a inteligência.
A mídia hegemônica, em seu forte viés golpista e autoritário, tentou hoje esforçar-se para que as mentes dos telespectadores permanecessem entorpecidas.
Enquanto a imprensa mundial, com destaque para o El Pais, vem chamando o espetáculo dos procuradores de “broma histórica”,  a mídia hegemônica brasileira   menospreza a inteligência do povo ao tentar “remendar  a roupa velha com um pano novo”. A imprensa hegemônica e golpista está em pânico, visto que tenta "consertar" o que nasceu troncho, ao dizer que eles (os procuradores) não disseram expressamente o que eles disseram.
A mídia golpista mais uma vez tenta ensinar como o povo deve falar, deve agir e deve pensar. Ela diz com outras palavras:

Gente tola do Brasil, o que vocês viram e ouviram na apresentação dos procuradores não é o que vocês viram e ouviram.
Não, não é bem isso.
Não precisam interpretar o contexto da fala dos meninos de Curitiba.
Para interpretar aqui nós temos nossos oráculos sagrados.
Telespectador você não pode interpretar a fala dos procuradores.
Vejam apenas o power point. O resto deixem conosco que nós vamos interpretar e dizer exatamente o que significa pra vocês.

Essa parte da mídia hegemônica e antidemocrática continua assim a assaltar a inteligência do cidadão com suas diatribes ora para distrair, ora para confundir, ora para dizer pra você o que é importante ou não, ora para ocultar, ora para mediocrizar o mundo com notícias distorcidas, novelas alienantes, filmes estúpidos e programas televisivos cretinos.
Ainda bem que temos a internet pra denunciar. Mas fiquemos de olho com os avanços do ”terror virtual”. Instituições golpístas e várias mídias de direita dão continuidade a manipulação nas redes sociais. Há na rede hoje uma miríade de "atores fascistas"  que bisbilhotam e jogam você num “buraco digital seletivo”. Segundo o site Terra.com.br, em matéria cuja manchete é “Perfis-robôs entram na política”, as organizações de direita  “Revoltados Online” e MBL - Movimento Brasil Livre utilizam robôs para convocar para protestos. O pesquisador da UFES, Fábio Malini, diz que tais robôs interagem de forma panfletária, com linguagem agressiva e não dialógica.  O que se permite concluir é que cresce o número de organizações golpistas assessoradas por robôs, por óbvio humanamente programados, para reproduzir mecanismos excludentes, ou seja, para aceitar ou bloquear os seus comentários críticos, para criar perfis falsos, para descartar o que eles consideram como “pessoas indesejáveis”, para decidir quais as notícias devem ser divulgadas pioritariamente, o que deve ser visto ou curtido, o que deve ser alcançado pelos motores de busca etc

E para reproduzir o jargão fantástico: “Estamos de olho”.

           Prof. Zéu Palmeira *

* O autor é professor da UFRN e coordenador da Base de Pesquisas "Direitos Sociais e Contemporaneidade"