segunda-feira, 20 de agosto de 2012

BARBÁRIE NO MUNDO DO TRABALHO
 44 trabalhadores foram assassinados na semana passada na África do Sul. A tragédia revolve a lembrança da política do apartheid, na qual a resposta da violência prevalecia sobre o diálogo e sobre o respeito à vida humana de homens simples, pais, filhos, irmãos, etc. Ocorre que todos os mortos eram homens, mas homens em uma sociedade desigual e desumanizada.
As mortes ocorreram após a 3.000 trabalhadores serem agredidos por militares que tinham por missão dispersar um protesto de mineiros. Os peões, que estavam armados com os instrumentos de trabalho (enxada, foice, chibanca e barras de ferro), reivindicavam melhores condições de trabalho na mina Marikana, distante há aproximadamente 100 quilômetros de Johanesburgo.
A violência contra os trabalhadores na localidade não é algo novo. Antes do episódio mencionado 10 (dez) empregados da mina já foram assassinados, inclusive um dirigente sindical que sucumbiu ao chão após ser espancado por horas seguidas.
A mina Marikana é explorada pela empresa inglesa Lonimn e considerada uma das maiores produtoras de platina do mundo. Estima-se que o gasto despendido até agora com militares acampados no entorno da mina, com a manutenção de helicópteros sobrevoando a área de produção e com a  munição utilizada no confronto, resulta em montante que é superior ao valor suficiente para atender o aumento reivindicado pelos trabalhadores.
Até quando?
A barbárie parece renovar-se cada vez com brutalidade infinita.
Proletariado do mundo, a resposta está cada vez convosco. UNI-VOS!!!

O PROBLEMA DO ALCOOLISMO NO BRASIL


Vejam abaixo a relevante reportagem de Fernanda Aranda, repórter da empresa iG São Paulo, sobre o problema do alcoolismo. É um material excelente para se refletir e se questionar sobre a saúde laboral. Adiante segue um importante trecho da matéria.

"Licença médica para tratar alcoolismo bate recorde no País.
Em março foram concedidos 4.120 benefícios, uma média de cinco por hora. Aumento de afastamentos do emprego nos últimos seis anos foi de 69,6%
O mês de março fechou com um recorde histórico de licenças médicas concedidas para trabalhadores, de todos os setores, se tratarem de dependência química.
Em 31 dias, 4.120 benefícios previdenciários do tipo foram registrados pelo governo federal, uma média de cinco afastamentos por hora.
O levantamento feito pelo iG Saúde nos bancos de dados do Ministério da Previdência Social mostra que o aumento é anual e gradativo. Entre 2006 e 2011, o crescimento acumulado de licenças nesta categoria foi de 69,9%, pulando de 24.489 para 41.534 no último ano.
Na comparação, os afastamentos por dependência química cresceram mais do que o dobro da elevação registrada de postos de trabalho com carteira assinada no País. Enquanto os empregos formais tiveram alta de 6% entre 2010 e 2011 (segundo o IBGE), as licenças deste tipo ampliaram 13,9% no mesmo período.
Dependência química cresce entre os motivos para o afastamento do trabalho
O álcool é a locomotiva do aumento, sendo a droga que mais aparece como responsável por afastar do trabalho por mais de 15 dias médicos, advogados, funcionários da construção civil, professores e todos outros empregados com carteira assinada. Em seguida, probleas com cocaína, maconha e medicamentos calmantes são apontados como motivos para os afastamentos.
Para o diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência, Cid Pimentel, a ampliação de licenças por uso compulsivo de substâncias entorpecentes evidencia três fenômenos: “Há um evidente aumento do consumo de drogas pelos brasileiros e isso repercute, de forma devastadora, no desempenho profissional”, diz.
“Mas há também uma maior sensibilização por parte das empresas em reconhecer a dependência química como uma doença e não mais como uma falha de caráter. Outra influência no aumento é o fato da notificação estar mais precisa. Antes os casos ficavam escondidos”, explica Pimentel.
A vendedora Alice, 20 anos – atualmente em tratamento em uma clínica de reabilitação particular – confirma que bebeu durante o expediente por anos até ser convidada pelo chefe a buscar ajuda especializada. Acredita que muitos clientes sentiam o cheiro etílico das doses de pinga e cerveja, que começava a beber às 10h.
“Meu chefe falou comigo. Disse que me daria todo apoio caso eu procurasse ajuda médica e que poderia voltar a trabalhar depois de recuperada. Eu aceitei a oferta, pedi licença médica de três meses, mas tenho medo de não ter mais trabalho quando sair.”